A Tenda definiu como prioridade estabilizar a operação da Alea, braço de casas pré-fabricadas criado em 2021, antes de retomar a expansão da unidade. A estratégia foi detalhada a analistas do BTG Pactual e da XP Investimentos durante visitas às instalações de Ribeirão Preto (SP), segundo relatórios divulgados nesta quinta-feira (2).
Desafios e histórico
A Alea nasceu com a meta de produzir 10 mil residências por ano em 2026, mas a rápida aceleração e a alta rotatividade de mão de obra travaram o plano. Após alcançar quase 3 mil unidades em 2024, a produção caiu para pouco mais de 1,2 mil casas em 2025. Desde a fundação, o consumo de caixa soma cerca de R$ 500 milhões e nenhum lucro foi registrado.
No primeiro trimestre de 2026, a subsidiária reportou prejuízo líquido de R$ 33 milhões; em todo o ano de 2025, a perda foi de R$ 130,4 milhões.
Plano de reestruturação
Segundo o BTG, a companhia pretende reduzir em cerca de 30% o custo dos produtos vendidos em relação a 2025. A queda virá do aumento da industrialização e da menor dependência de terceiros, com maior integração entre fábrica e canteiro.
Entre as etapas que deverão ser internalizadas até o segundo semestre de 2027 estão:
- aplicação de revestimento texturizado;
- instalação de forros de drywall;
- assentamento de cerâmica.
Expansão geográfica
A empresa estuda levar o modelo para Campinas, mas, por enquanto, manterá o foco nos polos de Tupã e Ribeirão Preto.
Visão dos analistas
Para o BTG, a Tenda segue como top pick no segmento de baixa renda. O banco recomenda compra, com preço-alvo de R$ 44, o que representa potencial de alta de 16% e múltiplo estimado de 5 vezes o lucro projetado para 2027.
A XP adotou tom igualmente construtivo. A corretora destaca ganhos de eficiência e corte de custos que podem levar ao breakeven de caixa, ao alinhamento do ROIC com a operação principal da Tenda e a uma margem bruta próxima de 20% até o fim de 2027.
O retorno ao plano original de produzir 10 mil unidades anuais dependerá, na avaliação da XP, da superação de desafios logísticos e da formação de terrenos que sustentem canteiros de grande porte.
Com informações de Money Times