Escalada entre EUA e Irã impulsiona curva de juros futuros, mas mercado mantém previsão de corte da Selic em agosto

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São Paulo, 8 de julho de 2026 – As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) avançaram em todos os vencimentos nesta quarta-feira, refletindo a alta do petróleo e a pressão sobre os títulos do Tesouro norte-americano após o anúncio do fim do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.

Movimento na curva doméstica

• O DI para janeiro/2027 subiu 4 pontos-base, encerrando a 14,055% ao ano (14,015% no ajuste anterior).

• O DI para janeiro/2029 avançou 10 pontos-base, para 14,380% (14,275%).

• O DI para janeiro/2036 ganhou 11 pontos-base, fechando a 14,440% (14,330%).

Pressão externa

No exterior, o rendimento (yield) do Treasury de dois anos – sensível à política monetária dos EUA – marcava 4,22% às 18h (horário de Brasília), ante 4,162% na véspera. O yield do título de dez anos estava em 4,481%, frente a 4,529% do dia anterior.

Gatilho geopolítico

Pela manhã, o presidente norte-americano, Donald Trump, declarou encerrado o memorando de entendimento que sustentava um cessar-fogo de 60 dias com o Irã, acordo mediado pelo Paquistão. As rodadas de conversas indiretas no Catar terminaram sem progresso, e forças dos EUA lançaram novos ataques contra alvos iranianos na terça-feira.

Os EUA também revogaram a licença que permitia exportações de petróleo iraniano, depois que três navios-tanque foram atingidos no Estreito de Ormuz. Teerã respondeu ameaçando fechar a passagem marítima e ampliar represálias.

Petróleo em alta

O Brent para entrega mais próxima encerrou o dia com valorização de 5,20%, cotado a US$ 78,02 em Londres, maior nível desde 22 de junho. O encarecimento do petróleo reforça temores de inflação global persistente e, por consequência, de juros elevados por mais tempo.

Expectativa para a Selic

Apesar do aumento de prêmio na curva de juros, os contratos de opções do Copom ainda atribuem 78% de probabilidade a um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic – de 14,25% para 14,00% – na reunião de agosto. A chance de manutenção está em 20,5%. Há duas semanas, era de 29% para corte e 67% para manutenção.

Os investidores monitoram a evolução do conflito no Oriente Médio e seu impacto sobre preços de energia, mas, por ora, mantêm a aposta de início do ciclo de afrouxamento monetário pelo Banco Central brasileiro no próximo encontro do colegiado.

Com informações de Money Times

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