O Brasil reúne condições para assumir papel de relevância na reorganização da economia mundial, mas precisará acelerar investimentos em infraestrutura para aproveitar a oportunidade, avaliou Axel Christensen, estrategista-chefe da BlackRock para a América Latina.
O executivo participou nesta quinta-feira (2) do lançamento do relatório Mid-Year Outlook 2026, em evento realizado pela gestora. Segundo ele, a fragmentação geopolítica eleva a demanda por fornecedores confiáveis de minerais críticos, alimentos e energia renovável — segmentos nos quais o país detém vantagens competitivas.
Infraestrutura é o principal entrave
Para transformar potencial em crescimento efetivo, Christensen defendeu a retomada de grandes projetos de logística e energia. Ele afirmou que o próximo governo — seja continuidade da atual administração ou uma nova gestão — terá de “reativar os motores de crescimento” ampliando a capacidade de investimento público e privado.
O estrategista também considera a queda gradual dos juros, esperada para os próximos anos, fundamental para viabilizar o financiamento dessas obras, classificadas como estratégicas para inserir o Brasil em cadeias globais de inteligência artificial (IA) e transição energética.
Renda fixa latino-americana em destaque
Além do cenário estrutural favorável ao Brasil, a BlackRock enxerga oportunidade na renda fixa de países da região. Christensen citou Brasil, Colômbia e México como mercados que hoje oferecem combinação atrativa de risco e retorno em títulos públicos e privados emitidos em moeda local.
Na visão da gestora, os emergentes latino-americanos demonstraram resiliência diante de choques geopolíticos recentes, mantendo níveis de volatilidade considerados administráveis.
Novo ciclo de escassez e avanços da IA
O Mid-Year Outlook 2026 descreve um ambiente global de “nova era de escassez”, marcado por limitações de mão de obra, energia, capital e matérias-primas. Esse quadro, segundo a BlackRock, tende a sustentar inflação mais resistente e juros elevados por mais tempo em relação à década anterior.
Ao mesmo tempo, a gestora aponta a inteligência artificial como força central do próximo ciclo de crescimento, embora ressalte que a tecnologia exigirá investimentos bilionários em data centers, redes elétricas, semicondutores e armazenamento de energia. Nesse contexto, a BlackRock prefere ações americanas, mas recomenda exposição a setores de energia, infraestrutura elétrica, data centers e minerais estratégicos.
Para a América Latina, a combinação entre segurança energética, reorganização das cadeias produtivas e expansão da infraestrutura pode redefinir o fluxo de capitais nos próximos anos, colocando o Brasil em posição de destaque — desde que o gargalo logístico seja enfrentado.
Com informações de Money Times