São Paulo, 10 de junho de 2026 – A Verde Asset zerou sua posição em real durante o mês de maio, movimento explicado pela retomada da tese de “excepcionalismo” dos Estados Unidos, informou a gestora em carta a clientes.
De acordo com a casa liderada por Luis Stuhlberger, três fatores elevaram a atratividade dos ativos norte-americanos: a resiliência da economia dos EUA, a perspectiva de juros mais altos por período prolongado e o avanço da inteligência artificial, que impulsiona o setor de tecnologia. Com o dólar mais forte, moedas de países emergentes tendem a perder espaço, razão pela qual a gestora retirou o real do portfólio.
Impacto no mercado local
O fluxo de capital estrangeiro que havia migrado para o Brasil voltou a se inverter, contribuindo para a queda de 7,22% do Ibovespa em maio. Papéis considerados mais arriscados recuaram ainda mais, segundo a Verde.
No âmbito doméstico, a gestora cita os chamados pacotes parafiscais – gastos extras com viés eleitoral – como fator de pressão sobre o Banco Central. Apesar da economia aquecida e do desemprego em patamar historicamente baixo, o mercado passou a precificar alta da Selic, movimento visto pela Verde como exagerado. Mesmo assim, a casa optou por não assumir posições direcionais em juros.
Carteira: o que mudou
Zerados: exposição ao real e opções de petróleo.
Mantidos: posições em ações no Brasil e no exterior; ouro e prata (com incremento pontual na prata); crédito privado local; proteção em crédito soberano da Arábia Saudita.
Trocados: nos EUA, a posição em inflação implícita foi substituída por aposta em juro real, refletindo a avaliação de que há espaço para alta adicional.
Petróleo fora do radar
A Verde elencou três motivos para a ausência de uma disparada nos preços do petróleo, apesar dos conflitos no Oriente Médio: redução das importações chinesas, desvio de cargas pelo Estreito de Ormuz para rotas alternativas e utilização de estoques estratégicos por países e empresas. Sem gatilho claro para valorização, a posição em petróleo foi encerrada.
Desempenho do fundo
O fundo Verde fechou maio com ganho de 0,33%, contra 1,07% do CDI. No ano, acumula alta de 7,76%, superando o CDI de 5,66%. Os resultados positivos vieram de renda variável global e crédito, enquanto ações brasileiras, ouro e a proteção em crédito da Arábia Saudita pesaram negativamente.