São Paulo, 7 de julho de 2026 (terça-feira), 4h50 – Os preços do petróleo registram alta superior a 1% nesta manhã, após os operadores reduzirem o peso das recentes tensões no Oriente Médio e concentrarem-se na recomposição da oferta global e nas perspectivas de consumo.
Às 4h49 (horário de Brasília), o contrato Brent subia US$ 0,97 (+1,35%), a US$ 72,96 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) avançava US$ 0,90 (+1,31%), para US$ 69,45. Na sessão anterior, ambos haviam fechado próximos aos níveis observados antes do conflito com o Irã.
Mercado monitora equilíbrio entre oferta e demanda
Segundo Tim Waterer, analista-chefe de mercados da KCM Trade, o recuo do prêmio de risco associado ao conflito reduziu a volatilidade imediata, mas o setor “ainda hesita em apostar plenamente na estabilidade da trégua” entre Estados Unidos e Irã. Waterer afirmou que a próxima movimentação dos preços dependerá da resposta da demanda, especialmente da China.
Risco geopolítico persiste
Na segunda-feira, o presidente Donald Trump declarou que Washington “chegará a um acordo com o Irã ou concluirá o trabalho”, sinalizando possível ação militar. O pronunciamento ocorreu um dia após o funeral do ex-líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.
As negociações para garantir a navegação no Estreito de Ormuz permanecem no radar. De acordo com o site Axios, a Guarda Revolucionária iraniana lançou na noite de ontem pelo menos dois mísseis contra navios comerciais que atravessavam o estreito, provocando danos significativos, porém sem vítimas.
Mesmo assim, superpetroleiros de bandeira japonesa carregados com petróleo saudita rumavam hoje para deixar o Golfo, somando-se a embarcações que zarparam no dia anterior. Analistas do ANZ observam que o restabelecimento do fluxo de navios-tanque ocorre “mais lentamente do que o previsto”, com o tráfego ainda restrito a números de um dígito.
Produção aumenta na região do Golfo
Após abandonar as cotas da Opep+ em maio, os Emirados Árabes Unidos elevaram a produção para mais de 3,8 milhões de barris por dia em junho, maior nível desde abril de 2020, mostram estimativas da Reuters.
No domingo, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados, entre eles a Rússia, aprovaram novo aumento das metas de produção em 188 mil barris diários a partir de agosto, repetindo ajustes executados em junho e julho.
Paralelamente, a Saudi Aramco reduziu o preço oficial de venda (OSP) de agosto do petróleo Arab Light destinado à Ásia para US$ 1,50 por barril abaixo da média de Omã/Dubai — corte de US$ 11 em relação a julho e o maior em mais de duas décadas.
Com as tensões ainda latentes e a oferta em expansão gradual, operadores seguem cautelosos quanto ao ritmo de normalização dos fluxos globais de petróleo.
Com informações de Money Times