Juros futuros caem no fim do semestre após criação de vagas formais abaixo do esperado

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As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) negociados na B3 recuaram nesta terça-feira (30), última sessão de junho, refletindo a geração mais fraca de empregos com carteira assinada em maio. A divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) reforçou a percepção de que o Banco Central pode continuar reduzindo a Selic no curto prazo.

Principais números da curva

No encerramento do pregão, os principais vértices registraram as seguintes variações em relação ao ajuste da véspera:

  • DI jan/27: de 14,038% para 14,000%;
  • DI jan/28: de 14,107% para 14,015%;
  • DI jan/29: de 14,198% para 14,115%;
  • DI jan/31: de 14,281% para 14,210%.

Na comparação com o fim de maio, a ponta curta (jan/27) recuou cerca de 10 pontos-base, incorporando o corte de 0,25 ponto na Selic decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em junho. Já os vencimentos de médio e longo prazos (jan/29 e jan/31) avançaram 25 e 32 pontos-base, respectivamente, resultando em maior inclinação da curva.

Emprego formal decepciona

O Caged apontou a abertura de 72.960 vagas em maio, bem abaixo da mediana de 120 mil apurada pela pesquisa Projeções Broadcast. Trata-se do menor saldo para meses de maio desde 2020. Ajustado sazonalmente pelo Santander, o saldo subiu de 47,7 mil em abril para 54,5 mil em maio, mas ainda distante do ritmo registrado no início do ano. Na média móvel trimestral dessazonalizada e anualizada, houve desaceleração para 80,4 mil vagas, ante 102,7 mil no mês anterior.

Os salários também mostraram fraqueza: o rendimento de admissão recuou 0,03% entre abril e maio, enquanto o de desligamento caiu 0,19%, segundo o economista Henrique Danyi.

Probabilidades para a Selic

Após os dados de emprego, o mercado de opções de Copom passou a precificar 67% de chance de novo corte de 0,25 ponto na reunião de agosto, ante 61% anteriormente. A probabilidade de manutenção da Selic em 14,25% caiu de 36% para 30%, em linha com a sinalização da curva futura.

Contexto de mercado

Profissionais destacam que, além do Caged, poucos fatores influenciaram as negociações. O pregão desta terça retomou liquidez normal após a segunda-feira esvaziada pelo jogo Brasil 2 x 1 Japão na Copa do Mundo. O alívio recente nos preços do petróleo, que permaneceram próximo de US$ 70 e caíram menos de 2% no dia, também contribuiu para o ajuste dos prêmios de risco.

Para Ian Lima, diretor de investimentos em renda fixa da Inter Asset, o comportamento da curva reflete o caráter cíclico da política monetária: “Após a fase de redução, o mercado já projeta um próximo movimento de alta quando o ciclo de cortes terminar, levando em conta a meta de inflação de 3%”.

Com informações de Money Times

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