JP Morgan mantém compra para ações brasileiras, mas vê três fatores que podem travar a reprecificação da bolsa

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O JP Morgan reiterou a recomendação de “compra” para o mercado acionário brasileiro em relatório divulgado em 3 de julho de 2026, mas alertou que a recuperação dos preços pode esbarrar em três elementos de pressão: saída de capital estrangeiro, cenário eleitoral incerto e expectativa de juros elevados por mais tempo.

Fluxo de recursos preocupa

Segundo o banco, desde meados de abril os resgates já equivalem a cerca de 50% da entrada líquida registrada no ano, sinalizando enfraquecimento do fluxo de investidores para a B3. Esse movimento é atribuído a um ambiente externo adverso, marcado pelo fortalecimento do dólar, alta dos rendimentos dos Treasuries e concentração de recursos globais em empresas de tecnologia e inteligência artificial.

Juros e eleições elevam a volatilidade

No front doméstico, o JP Morgan aponta que o ciclo de cortes na Selic tende a ser mais curto do que o esperado, mantendo o custo do dinheiro em nível elevado por período prolongado. Além disso, pesquisas eleitorais indicam disputa acirrada para o segundo turno de outubro, adicionando volatilidade ao mercado.

Avaliações atraentes, mas sem gatilho imediato

O banco destaca que o índice MSCI Brazil é negociado a 7,8 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, abaixo das 10,5 vezes observadas em janeiro e fevereiro. Oito dos dez setores listados operam com múltiplos inferiores às médias históricas. Apesar de baratos, esses números, por si só, não bastam para destravar uma reprecificação ampla, avalia a instituição.

Seleção setorial e potenciais catalisadores

A estratégia do JP Morgan privilegia companhias de qualidade nos setores financeiro, utilidades públicas e commodities. Dentro da carteira, ganham espaço papéis de indústria, consumo discricionário e finanças que combinem três características: programas ativos de recompra, elevado potencial de valorização frente ao preço-alvo e melhora consistente nos resultados.

Entre os possíveis impulsos positivos, o relatório cita eventual aumento do apetite global por risco e novos estímulos econômicos na China, capazes de beneficiar mercados emergentes fora do segmento de tecnologia.

Com informações de Money Times

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