Usinas brasileiras de cana-de-açúcar começam a alterar o planejamento da safra 2026/27 e devem direcionar um volume maior de matéria-prima à produção de açúcar, segundo afirmou Gustavo Segantini, vice-presidente de vendas e logística da Tereos Brasil.
No início da temporada, em abril, as companhias destinavam 67% da cana para etanol e 33% para açúcar, operação conhecida no setor como “etanol máximo”. Com a colheita superando as previsões, a estratégia agora se volta para o processamento máximo, que utiliza integralmente os parques industriais tanto de etanol quanto de açúcar.
“Os volumes de cana são maiores do que esperávamos. Projetávamos um avanço de 12%, mas o aumento é ainda maior”, disse Segantini, à margem da New York Sugar Week. “Começamos a safra no etanol máximo, mas estamos mudando para a moagem total.”
Safra revisada para 645 milhões de toneladas
Analistas calculam que a produção do Centro-Sul alcance cerca de 645 milhões de toneladas de cana, ante estimativa inicial de 630 milhões de toneladas. A oferta adicional leva as usinas a acelerar o ritmo de esmagamento para evitar perdas, especialmente diante da possibilidade de chuvas extras no segundo semestre provocadas pelo El Niño.
Além do volume maior, a queda rápida nos preços domésticos do etanol no início da safra reduz a atratividade do biocombustível, reforçando a tendência de aumento da fabricação de açúcar.
Imagem: Reuters
Se o setor adotar em massa o modelo de “moagem total”, o mix deve ficar mais equilibrado do que o previsto, com participação maior do açúcar e menor do etanol.
Com informações de Money Times