O Itaú BBA reduziu de R$ 27 para R$ 20 o preço-alvo das ações da RD Saúde (RADL3) ao fim de 2026, mantendo recomendação neutra. A revisão foi divulgada em 3 de julho de 2026.
De acordo com o relatório, o ajuste reflete os números do primeiro trimestre de 2026, a elevação da taxa de juros e uma postura mais cautelosa em relação ao mercado de medicamentos da classe GLP-1, usados no tratamento de diabetes e obesidade. Ainda assim, o banco avalia que o atual pessimismo dos investidores em torno desses produtos é excessivo.
Pressão sobre as ações
Desde fevereiro, os papéis da RD Saúde acumulam recuo aproximado de 40%. A queda está ligada, segundo o Itaú BBA, à estabilidade nas vendas do Mounjaro, que permanecem perto de R$ 900 milhões mensais desde novembro de 2025, e ao avanço do mercado informal. Além disso, a margem bruta de produtos similares e genéricos ficou em torno de 20%, abaixo da estimativa anterior, que superava 30%.
Para o banco, a reação do mercado foi desproporcional: as ações voltaram a ser negociadas a um múltiplo preço/lucro entre 15 e 16 vezes para 2026 — faixa que historicamente serve de piso para o papel.
Participação crescente do GLP-1
O Itaú BBA projeta que os medicamentos GLP-1 representarão 12% da receita da RD Saúde em 2026, chegando a 19% em 2030. A expectativa é que a empresa amplie participação nesse segmento por atender consumidores de maior renda e ter estrutura financeira capaz de sustentar as vendas.
Possíveis catalisadores
Entre os fatores positivos, o relatório cita uma eventual fiscalização mais rigorosa da Anvisa sobre clínicas de manipulação. Hoje, cerca de metade do mercado de GLP-1 está no segmento informal, fatia que pode cair para 43% até 2030. A migração para o varejo formal beneficiaria as grandes redes de farmácias.
Margens e resultados operacionais
O lucro bruto por unidade vendida recuou com a expansão de genéricos, que têm tíquete médio menor. Segundo o banco, parte desse impacto pode ser compensada pelo aumento do volume de vendas e por uma melhora gradual das margens, impulsionada pela maior concorrência entre fornecedores e pelo poder de negociação das farmácias.
Mesmo com esse cenário, o lucro bruto por loja segue em alta: crescimento anual de 9,7% no primeiro trimestre de 2026, aponta o Itaú BBA.
Com informações de Money Times