Após um primeiro semestre marcado pela reversão de expectativas, especialistas identificam oportunidades para quem pretende reforçar a carteira de ações no restante de 2026. O Ibovespa, que quase alcançou 200 mil pontos, recuou para a faixa dos 170 mil pontos, abrindo espaço para compras seletivas, segundo analistas.
Juros altos e valuations atrativos
No programa “Onde Investir 2026 – 2º semestre”, do portal Seu Dinheiro, Rodrigo Santoro, head de equities da Bradesco Asset, e Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, afirmaram que o patamar atual dos preços já embute boa margem de segurança. Para Santoro, o juro real de dez anos acima de 8% não se sustenta no longo prazo, criando uma janela para adquirir “boas empresas a preços convidativos”.
Hungria lembrou que o humor do mercado piorou desde o início do ano — influenciado por inflação elevada, impactos da guerra e ritmo mais lento de corte da Selic —, mas destacou que “os valuations de agora são muito melhores do que em abril”, quando o índice estava próximo do recorde.
Critérios de escolha
Os dois especialistas concordam que a seleção de ativos deve privilegiar companhias com:
- posição de liderança no setor;
- baixo endividamento;
- capacidade de repassar preços;
- geração constante de caixa;
- histórico consistente de pagamento de dividendos.
Empresas altamente alavancadas trazem risco adicional, pois as despesas financeiras tendem a crescer em um ambiente de juros elevados, afetando as projeções de lucro.
Favoritos para a carteira
Entre os papéis citados, o Itaú (ITUB4) aparece como exemplo de ação defensiva e boa pagadora de dividendos, com yield estimado em torno de 8% ao ano. Hungria acrescenta a Direcional (DIRR3), beneficiada pelo segmento de baixa renda, e a Axia Energia (AXIA3) — antiga Eletrobras —, que melhora resultados e deve distribuir dividendos em 2027.
Santoro destaca o setor de utilities, com preferência por Equatorial (EQTL3), cuja taxa interna de retorno real chega a 12%. O gestor também vê potencial na Localiza (RENT3); apesar do impacto de juros altos e do mercado de usados, a companhia vem recuperando margens e pode ganhar fôlego se o ciclo de corte da Selic avançar.
Volatilidade à frente
Os analistas alertam que eventos previstos para o segundo semestre devem manter a volatilidade, mas acreditam que, caso o cenário macroeconômico não piore além das projeções, o Ibovespa tem chance de retomar níveis próximos dos 200 mil pontos até o fim do ano.
Para Hungria, o investidor deve focar em empresas “que entregam resultado em qualquer contexto” e, num ambiente mais favorável, ainda podem se beneficiar da diminuição da percepção de risco.
Com informações de Money Times