Petróleo recua 1% e deve encerrar junho com desvalorização de 20%

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Os contratos futuros de petróleo operam em baixa nesta terça-feira (30), devolvendo os ganhos da sessão anterior e caminhando para fechar junho com forte queda em meio à expectativa de negociações entre Estados Unidos e Irã em Doha.

Às 4h58 (horário de Brasília), o Brent para agosto — que expira hoje — recuava 0,78%, ou 57 centavos, a US$ 72,58 por barril. O preço está cerca de US$ 20, ou 22%, abaixo do encerramento de maio.

O West Texas Intermediate (WTI) para agosto caía 0,57%, ou 40 centavos, a US$ 70,35 por barril, acumulando perda aproximada de US$ 17, ou 19%, desde 29 de maio.

Conflito e expectativa por diálogo

Investidores acompanham a possibilidade de conversas entre Washington e Teerã, enquanto vigora um cessar-fogo provisório no conflito que já dura quatro meses e tem afetado o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.

Para Tim Waterer, analista-chefe de mercado da KCM Trade, o mercado precifica um possível desfecho positivo em Doha, mas ainda não vê sinais concretos de normalização no estreito. “O sentimento é cautelosamente otimista, com proteção mantida até que haja evidências de desescalada”, afirmou.

Rotas no Estreito de Ormuz

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, informou que especialistas iranianos e omanenses iniciarão nos próximos dias discussões para redefinir as rotas de trânsito no Estreito de Ormuz, acrescentando que o Irã pretende impedir a passagem de embarcações fora dos corredores oficiais.

Apesar disso, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, descartou qualquer encontro com representantes norte-americanos “em nenhum nível” nos próximos dias.

Questionado sobre a reunião em Doha, o presidente dos EUA, Donald Trump, limitou-se a dizer que “talvez seja importante, talvez não; vamos descobrir”.

Demanda chinesa e fluxo de cargas

Analistas também manifestam preocupação com o apetite de compra da China. “Esperamos mais evidências de aumento das importações chinesas antes de apostar num retorno significativo”, comentou Neil Crosby, chefe de pesquisa da Sparta Commodities.

Mesmo com novos ataques a navios e a retomada de confrontos entre EUA e Irã, produtores do Oriente Médio seguem embarcando petróleo e gás natural liquefeito. Dados de transporte marítimo indicam que o tráfego na semana passada foi o mais intenso desde o início do conflito, no fim de fevereiro.

Com essas pressões combinadas — risco geopolítico persistente e incerteza sobre a demanda —, Brent e WTI se aproximam dos níveis observados antes do início da guerra.

Com informações de Money Times

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