O governo de Mato Grosso firmou um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) que determina o fim do uso de lenha proveniente de vegetação nativa em caldeiras de agroindústrias, incluindo as usinas de etanol de milho, a partir de 2034. O acordo foi assinado com o Ministério Público estadual após inquérito instaurado no fim de 2025 para apurar possíveis irregularidades na origem da biomassa utilizada.
O documento estabelece uma redução escalonada desse insumo florestal: até 2030, o limite será de 50% de lenha nativa; em 2031, 40%; em 2032, 30%; e em 2033, 10%. O objetivo é chegar a 0% em 2034.
Demanda crescente pressiona oferta sustentável
Dados do IBGE indicam que o consumo de matéria-prima florestal no Estado mais que dobrou entre 2021 e 2024, alcançando 7,4 milhões de metros cúbicos, impulsionado principalmente pela expansão das usinas de etanol de milho. No mesmo período, a área plantada com eucalipto recuou 3,5%.
Em nota, a Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta) alertou para um “apagão” de biomassa oriunda de florestas plantadas diante do rápido crescimento do setor. Segundo a entidade, já há déficit de madeira para suprir a geração de energia nas usinas, sendo necessário planejar novos plantios, que levam de seis a sete anos até a colheita.
Metas para florestas plantadas e manejo sustentável
O TCA determina que, em até 30 dias, o Executivo estadual publique decreto com um plano para:
- Expandir áreas de eucalipto ou outras florestas plantadas para, no mínimo, 700 mil hectares até 2040 (hoje são cerca de 200 mil hectares);
- Aumentar as áreas de manejo florestal sustentável para 6,5 milhões de hectares ou mais no mesmo prazo.
As empresas terão 90 dias para apresentar medidas de adequação. A reposição florestal poderá ocorrer por plantio próprio, contratos com terceiros ou aquisição de créditos de reposição.
Atualmente, Mato Grosso abriga aproximadamente dez usinas de etanol de milho, com projetos para mais de uma dezena adicional nos próximos anos. O governo argumenta que a adoção de uma política estruturante para biomassa é essencial para viabilizar essa expansão sem incentivar o desmatamento.
Com informações de Money Times