Um levantamento da Anbima em parceria com o Datafolha indica que 84% dos brasileiros chegam à idade adulta sem definir de onde virá a renda quando deixarem o mercado de trabalho. O estudo, batizado de Raio X do Investidor Brasileiro 2026, foi divulgado nesta quinta-feira, 23 de abril de 2026.
Dependência do INSS cresce
Sem planejamento próprio, 60% dos não aposentados afirmam que contarão principalmente com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O índice, segundo a Anbima, vem aumentando nos últimos anos, mesmo diante da crise estrutural do sistema previdenciário público, pressionado pelo envelhecimento populacional, pela informalidade no trabalho e por restrições fiscais.
Ao mesmo tempo, diminuiu de 18% para 15% a fatia de pessoas que pretende continuar trabalhando após a idade mínima. Apenas 13% planejam utilizar investimentos como fonte de renda e 5% citam a previdência privada.
Fila e valor dos benefícios preocupam
Quase 3 milhões de brasileiros aguardam na fila para dar entrada ou concluir pedidos de aposentadoria no INSS. Entre os benefícios já concedidos, a maior parte paga o piso previdenciário de R$ 1.621 em 2026. O teto, de R$ 8.475,55, é considerado de difícil acesso.
Para as classes C, D e E, esse piso se aproxima da renda atual — R$ 3.565 na classe C e R$ 2.144 nas classes D/E. Já nas classes A e B, cuja média salarial chega a R$ 9.355, metade dos entrevistados também declarou que dependerá da Previdência Social, apesar de o valor superar o teto do INSS.
Imagem: Seu Dinheiro
Pouca poupança, muita intenção
O estudo mostra que 57% da população ainda não começou a formar reserva, mas diz pretender fazê-lo. Outros 16% já iniciaram a poupança para o futuro. Entre os mais jovens, a intenção é maior: 66% da Geração Z e 58% dos Millennials afirmam que planejam poupar, mas ainda não tiraram o plano do papel.
A meta de idade para deixar o mercado de trabalho fica concentrada entre 60 e 69 anos, refletindo a elevação da idade mínima exigida pelas regras atuais.
Com informações de Money Times