O dólar à vista encerrou a sessão desta quarta-feira (8) cotado a R$ 5,1484, com recuo de 0,09% frente ao real. A queda acompanhou o movimento da divisa norte-americana no exterior, onde o índice DXY, que compara o dólar a seis moedas fortes, cedeu 0,03%, aos 100,989 pontos por volta das 17h (horário de Brasília).
A desvalorização do dólar ocorreu em meio à forte alta dos preços do petróleo, impulsionada pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã após o fim de um cessar-fogo temporário. O contrato mais líquido do Brent subiu 5,20% e fechou a US$ 78,02 o barril na ICE, maior nível desde 22 de junho.
Crise geopolítica reacende receios
Pela manhã, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou encerrado o memorando de entendimento que buscava um acordo permanente com Teerã, afirmando não ter interesse em novas rodadas de negociação. O pacto, mediado pelo Paquistão, previa 60 dias de diálogo, mas as conversas indiretas conduzidas no Catar terminaram sem avanços.
Na sequência, as Forças Armadas norte-americanas realizaram novos ataques contra o Irã. Washington também revogou a licença que permitia a Teerã vender petróleo, após três navios-tanque serem atingidos no Estreito de Ormuz. O governo iraniano ameaçou fechar o estreito estratégico e retaliar “em dobro” caso sofra novos bombardeios.
Commodities fortalecem o real
A disparada do petróleo fortaleceu moedas de países exportadores de commodities, como o Brasil. “A valorização generalizada das matérias-primas melhora os termos de troca e amplia a entrada de divisas pelo canal exportador, ajudando a conter o avanço do dólar”, avaliou Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.
Mercado monitora o Fed
Investidores também repercutiram a ata da última reunião do Federal Reserve, que manteve a taxa dos Fed Funds entre 3,50% e 3,75% ao ano pela quarta vez seguida em junho. O documento indicou que alguns dirigentes veem espaço para nova elevação dos juros, mantendo a inflação como principal preocupação.
Após a publicação, a ferramenta FedWatch (CME Group) passou a indicar 69,5% de probabilidade de manutenção de juros na decisão de agosto, ante 73,3% na véspera. A chance de aumento de 25 pontos-base subiu para 30,5%. Para setembro, a previsão majoritária continua sendo de alta, com 67,9% de probabilidade.
No mercado doméstico, a curva de juros futuros segue precificando corte de 25 pontos-base na Selic em agosto, o que reduziria a taxa básica de 14,25% para 14% ao ano.
Com informações de Money Times