Os investidores brasileiros enxergam a política monetária dos Estados Unidos e o comportamento do dólar como fatores decisivos para a trajetória dos mercados emergentes nos próximos meses, revela relatório do Bank of America (BofA) divulgado nesta segunda-feira (6).
Fed no centro das atenções
Segundo o banco, a nomeação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed) aumentou a incerteza sobre a condução dos juros norte-americanos. A maioria dos profissionais consultados acredita que o Fed dificilmente elevará as taxas em 2026 ou, ao menos, protelará o quanto puder essa decisão. Parte do mercado avalia que o discurso mais duro de Warsh visa manter os rendimentos de longo prazo elevados, permitindo que o aperto das condições financeiras ocorra sem novos aumentos oficiais.
Inflação e petróleo aliviam pressão
O estudo do BofA indica que a queda contínua dos preços do petróleo e a dissipação dos efeitos tarifários sobre o índice de preços ao consumidor (CPI) dos EUA colaboram para um cenário inflacionário mais benigno. No Brasil, o mesmo movimento reforça a expectativa de um novo corte de 25 pontos-base na taxa Selic na reunião de agosto do Banco Central.
Há poucas semanas o mercado considerava encerrado o ciclo de afrouxamento monetário. Agora, calcula aproximadamente 66% de probabilidade de mais um ajuste para baixo. A decisão do BC de estender o horizonte relevante das metas de inflação para 2028 também é vista como suporte adicional a esse cenário.
Bolsa entre alívio e cautela
Embora juros menores possam oferecer impulso de curto prazo ao Ibovespa, o BofA alerta que as taxas devem continuar altas em termos históricos, mantendo riscos negativos para os lucros corporativos em 2026. Revisões para baixo nas projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027 reforçam o quadro desafiador.
A recente correção nos preços das ações abriu um ponto de entrada considerado mais atraente, mas o banco avalia que as valuations ainda não estão baratas. Além disso, o forte fluxo global direcionado a papéis ligados à inteligência artificial nos Estados Unidos limita o interesse estrangeiro pela bolsa brasileira.
Fluxo local e volatilidade eleitoral
Internamente, fundos de ações e multimercados continuam registrando resgates líquidos semana após semana. Pesquisas eleitorais mais recentes já começam a elevar a volatilidade dos ativos, levando investidores a evitarem posições estruturais enquanto persistem as incertezas externas e a perspectiva de uma disputa presidencial acirrada em 2026.
Com informações de Money Times