São Paulo, 6 de julho de 2026 – O dólar à vista terminou o pregão desta segunda-feira cotado a R$ 5,1320, queda de 0,71% diante do real. O recuo foi impulsionado por novos sinais de arrefecimento da economia norte-americana, que reforçaram a aposta de que o Federal Reserve poderá adotar postura menos agressiva na elevação de juros.
Por volta das 17h (horário de Brasília), o índice DXY – que compara o dólar a seis moedas fortes – registrava leve alta de 0,01%, aos 100.867 pontos, movimento que contrasta com o desempenho da divisa no mercado doméstico.
Projeções do Focus
O mercado também acompanhou a edição semanal do Boletim Focus, divulgada pelo Banco Central. Pela primeira vez em 16 semanas, a estimativa para o IPCA de 2026 recuou, passando de 5,33% para 5,30%. Para 2027, entretanto, a previsão avançou de 4,17% para 4,18%.
Quanto à Selic, as medianas permaneceram inalteradas: 14% para 2026, 12% para 2027, 10,25% para 2028 e 10% para 2029.
Tensões comerciais
Começou hoje, em Washington, audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que avalia, sob a Seção 301 da Lei de Comércio, possíveis práticas desleais do Brasil. Entre os pontos citados estão a implantação do Pix, o desmatamento, o mercado de etanol e questões de propriedade intelectual. A incerteza sobre eventuais sobretaxas manteve parte dos investidores cautelosos.
Commodities dão suporte ao real
De acordo com Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a moeda brasileira contou com apoio da valorização de soja e minério de ferro, além de recorde nas exportações de carne, fatores que intensificam o ingresso de dólares via balança comercial.
Dados fracos de serviços nos EUA
O Instituto de Gestão de Fornecimento (ISM) informou que seu índice de atividade do setor de serviços recuou de 54,5 em maio para 54,0 em junho. A leitura de novos pedidos caiu de 57,3 para 55,1. Os números, somados ao payroll mais fraco divulgado na semana passada, reforçam a percepção de perda de fôlego da economia dos EUA, reduzindo apostas de aperto adicional da política monetária.
Ainda assim, analistas observam que a trajetória de baixa do dólar no Brasil encontra limite no fortalecimento internacional da moeda e nas incertezas sobre o processo no USTR.
Cenário externo
No panorama geopolítico, o Irã realizou funerais para o aiatolá Ali Khamenei, morto no primeiro dia do conflito no Oriente Médio, com protestos contra o presidente dos EUA, Donald Trump. Em resposta, Trump afirmou que Washington “chegará a um acordo ou terminará o serviço” em relação a Teerã.
No mercado de energia, o contrato futuro do petróleo Brent para setembro recuou 0,18%, a US$ 71,99 por barril, pressionado pelo quinto aumento consecutivo da oferta da Opep+ a partir de agosto e pela normalização do tráfego no Estreito de Ormuz.
Esse ambiente externo, combinado às discussões comerciais e às projeções econômicas internas, norteou os negócios cambiais ao longo do dia.
Com informações de Money Times