Itaú BBA vê El Niño como maior risco para safra 2026/27 e estima possível perda de 5 milhões de toneladas de soja

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São Paulo, 2 de julho de 2026 – Um El Niño de forte intensidade voltou ao centro das atenções do mercado de grãos. De acordo com Cesar de Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA, uma quebra de produção semelhante à registrada em Mato Grosso em 2023 poderia retirar até 5 milhões de toneladas de soja do balanço global na temporada 2026/27.

Colchão de oferta praticamente zerado

Durante apresentação na 12ª edição do evento Agro em Pauta, Alves lembrou que, há poucos anos, a diferença entre produção e consumo mundial de soja girava em torno de 15 milhões de toneladas. Hoje, esse excedente “praticamente desapareceu”, afirmou. Com isso, um revés climático no principal estado produtor do Brasil transformaria um mercado equilibrado em déficit de aproximadamente 5 milhões de toneladas.

Cenário-base ainda indica safra robusta

Apesar do alerta, o banco mantém como cenário-base uma oferta global elevada. A produção de soja para 2026/27 é estimada em 441 milhões de toneladas, com estoques finais projetados em 121 milhões de toneladas — volume menor que a previsão de 125 milhões divulgada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Foco em Mato Grosso e no Sul do país

Segundo Alves, a intensidade do fenômeno climático permanece incerta, mas modelos apontam aquecimento rápido das águas do Pacífico, comportamento semelhante aos eventos fortes de 2015 e 2023. “Tudo vai convergir para o desenho da safra do Mato Grosso”, disse o consultor. Caso o estado colha normalmente, o equilíbrio do mercado tende a ser mantido; uma quebra relevante, entretanto, poderia provocar reação de preços mais acentuada do que em anos anteriores.

O El Niño não afeta todas as regiões da mesma forma. Enquanto algumas áreas podem registrar perdas, outras conseguem ampliar produtividade. No Sul do país, costumeiramente beneficiado pelo fenômeno, o excesso de chuvas pode prejudicar culturas como trigo e arroz.

Fertilizantes sob pressão

O custo de produção permanece no radar. A recente escalada de tensões no Golfo Pérsico encareceu fertilizantes, observou Alves. A ureia recuou nas últimas semanas, aliviando o milho safrinha, mas os fosfatados continuam pressionados. O principal gargalo é o enxofre: oferta limitada e demanda crescente da indústria de baterias para veículos elétricos.

Esse cenário pode levar produtores a cortar investimentos em tecnologia e adubação, elevando a dependência de condições climáticas favoráveis para atingir boas produtividades.

Demanda segue aquecida

Alves destacou ainda que o consumo mundial de soja continua em expansão, impulsionado sobretudo pelo uso de óleo de soja na produção de biocombustíveis. O fator que mantém as cotações contidas, disse ele, é o avanço da oferta após sucessivas safras volumosas no Brasil.

Com informações de Money Times

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