São Paulo, 1º de julho de 2026 – Estrategistas do Goldman Sachs reiteraram recomendação overweight para o mercado acionário brasileiro dentro do portfólio de mercados emergentes, classificando o país como sua principal aposta na América Latina.
Em relatório a clientes divulgado nesta quarta-feira (1), o banco afirma que, aos níveis atuais — com papéis negociados a cerca de oito vezes o lucro estimado para os próximos 12 meses — as ações brasileiras parecem baratas tanto em comparação às taxas de juros de longo prazo quanto a padrões verificados em ciclos anteriores de afrouxamento monetário.
O Goldman reconhece possibilidade de maior volatilidade no segundo semestre, à medida que se aproximam as eleições presidenciais de outubro, mas avalia que eventual alívio nas expectativas de juros, favorecido pela retração dos preços de energia, tende a impulsionar companhias domésticas mais sensíveis às taxas, que ainda operam cerca de 20% abaixo dos níveis pré-conflito entre Estados Unidos e Irã.
Desempenho recente do Ibovespa
O estudo lembra que o Ibovespa chegou a acumular ganho superior a 20% até meados de abril, impulsionado por forte entrada de capital estrangeiro e pelo início, em março, do ciclo de cortes da Selic pelo Banco Central. Na sequência, o setor de energia ganhou força com a alta do petróleo provocada pela guerra EUA-Irã.
Desde abril, porém, o índice devolveu boa parte desses avanços e registra alta inferior a 7% no ano. Os analistas atribuem a reversão a preocupações macroeconômicas, entre elas a possibilidade de um ciclo de afrouxamento monetário mais curto: o mercado de juros já não projeta reduções da taxa básica nos próximos 12 meses, ante expectativa de 300 pontos-base antes do conflito.
O relatório também cita a incerteza política ligada às eleições e a saída de recursos do setor de energia após a queda das cotações do petróleo.
Setores recomendados
No curto prazo, o banco sugere posições em empresas cíclicas domésticas de “alta qualidade”, destacando:
- bancos com perfil defensivo;
- companhias de serviços públicos;
- operadoras de telecomunicações;
- construtoras voltadas para a baixa renda;
- varejistas consideradas baratas.
Segundo os estrategistas, esses segmentos exibem fundamentos sólidos independentemente do resultado eleitoral.
México e Colômbia
Para o México, o Goldman Sachs mantém postura neutra, citando crescimento fraco e incertezas ligadas à política comercial dos Estados Unidos e à revisão do acordo USMCA. A recomendação neutra também se estende à Colômbia: apesar do resultado eleitoral considerado pró-mercado, a equipe alerta para vulnerabilidade a correções após a forte alta pré-eleição, retomada do aperto monetário e preocupações fiscais de médio prazo.
Com informações de Money Times