O JPMorgan alterou sua visão sobre as ações preferenciais classe A da Braskem (BRKM5). Em relatório divulgado nesta terça-feira (30), o banco reduziu o preço-alvo de R$ 15,00 para R$ 7,50 e mudou a indicação de compra para neutra. Para as ADRs negociadas em Nova York, o preço-alvo anterior, de US$ 5,50, foi retirado.
Segundo os analistas, o recuo dos spreads petroquímicos após o cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã eliminou parte do suporte que sustentava as cotações da companhia. Embora as margens ainda permaneçam superiores aos níveis observados antes do conflito, as expectativas foram revistas para baixo, reduzindo o potencial de alta do papel.
Projeções revisadas
O JPMorgan ajustou o Ebitda estimado para 2026 para US$ 2,2 bilhões, valor 20,1% inferior à projeção anterior. O novo número está em linha com dados apresentados pela própria Braskem e, de acordo com o banco, agrava o impacto do elevado endividamento sobre o valor patrimonial da empresa.
Reestruturação em foco
A publicação dos documentos de reestruturação da dívida trouxe maior visibilidade às negociações com credores. Tanto a empresa quanto os detentores de títulos seguem buscando um acordo extrajudicial consensual. No entanto, o JPMorgan avalia que qualquer solução final tende a ser menos favorável aos acionistas do que se imaginava inicialmente.
Os credores, afirma o relatório, esperam que os sócios arquem com parte relevante do ajuste – seja via suporte operacional, capital de giro, injeção direta de recursos ou alternativas com efeito de diluição. Caso as conversas não avancem, a recuperação judicial surgiria como principal cenário adverso.
Com a combinação de spreads menores, revisão nas premissas de rentabilidade e incertezas sobre a reestruturação, o banco conclui que a relação risco-retorno já não justifica recomendação de compra. Na sessão de hoje, os papéis da Braskem encerraram em queda.
Com informações de Money Times