O aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã elevou o preço do petróleo para além de US$ 107 nesta terça-feira (12), promovendo cautela nos mercados internacionais e pressionando a inflação norte-americana. No Brasil, mesmo diante de uma temporada de resultados corporativos considerada fraca, a Empiricus Research vê oportunidade nas ações da Petrobras (PETR4).
Ruy Hungria, analista da casa, afirma que a aceleração da inflação nos EUA era esperada e foi potencializada pela valorização do barril. Em abril, o índice de preços ao consumidor norte-americano subiu para 3,8%, o maior patamar em quase três anos, superando levemente as projeções do mercado.
Sinalização do Fed e cenário doméstico
O Federal Reserve indicou na última reunião que não pretende realizar novos cortes na taxa básica ainda em 2026. No Brasil, o IPCA avançou 0,67% em abril e a estimativa para o fim do ano ficou em 4,39%, próxima do teto da meta do Banco Central, de 3% com margem de 1,5 ponto percentual.
Hungria lembra que as previsões para a Selic foram revistas ao longo do ano. “Começamos falando em 12% para 2026, depois em 13%, mas talvez nem cheguemos lá se o conflito se prolongar”, diz.
Resultado da Petrobras no 1T26
A Petrobras reportou lucro de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre e anunciou juros sobre capital próprio de R$ 9,70 por ação. Apesar de ficar abaixo das estimativas do mercado, Hungria avalia o desempenho como sólido diante do aumento de produção, da melhora no refino e do impacto positivo da alta do petróleo sobre os estoques.
O analista observa que a estatal não capturou integralmente a valorização do barril porque os reajustes de preços levam algumas semanas para aparecer. “O petróleo vendido em março ainda tinha valor de fevereiro, então o benefício não foi totalmente refletido”, explica.
Imagem: João Kawada
Perspectivas para as ações
Para Hungria, os papéis da Petrobras continuam negociados a níveis atrativos e tendem a oferecer remuneração maior aos acionistas nos próximos trimestres. Ele também vê espaço limitado para queda significativa no preço do petróleo, mesmo que o confronto no Oriente Médio seja encerrado, em razão do desequilíbrio entre oferta e demanda.
Sobre a temporada de balanços no país, o analista afirma que a combinação de Selic próxima de 15% e desaceleração econômica tem pressionado os números, mas aponta que muitas empresas seguem crescendo, especialmente as de maior participação de mercado.
Com informações de Money Times
