Ibovespa encerra junho com quarta queda seguida, mas ainda sobe 6,76% no semestre de 2026

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São Paulo – O Ibovespa registrou recuo de 1,01% em junho e terminou o último pregão do mês aos 172.024,12 pontos, acumulando a quarta queda mensal consecutiva. Mesmo assim, o principal índice da B3 sustenta alta de 6,76% no primeiro semestre de 2026, embora tenha perdido 8,3% no trimestre.

A saída de capital externo foi apontada como o principal fator de pressão. Dados da B3 mostram retirada líquida de R$ 8,7 bilhões por investidores estrangeiros entre 1º e 26 de junho, movimento associado ao rali de ações de tecnologia nos Estados Unidos e em outros mercados asiáticos, como Taiwan e Coreia do Sul.

No câmbio, o dólar à vista subiu 2,38% no mês e encerrou cotado a R$ 5,1630. A proximidade das eleições presidenciais de outubro e a volta do risco fiscal ao radar também contribuíram para a cautela. O caso Banco Master, que afetara o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em maio, passou a atingir petistas, entre eles o senador Jaques Wagner, mencionado em pesquisa BTG Pactual/Nexus.

Conflito EUA-Irã e petróleo

As negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, iniciadas em 28 de fevereiro, avançaram nos dias 21 e 22 de junho na Suíça, com a assinatura de um memorando de 60 dias. Após o encontro, Teerã reabriu o Estreito de Ormuz e Washington liberou produção, entrega e venda de petróleo e derivados iranianos. Mesmo assim, novos ataques foram registrados na última semana do mês. Entre os pontos de impasse estão visitas da Agência Internacional de Energia Atômica, desbloqueio de ativos iranianos e controle do estreito. O contrato Brent para setembro caiu 19,9% em junho.

Maiores altas

A Copasa (CSMG3) liderou os ganhos do índice, com avanço de 14,31%, impulsionada pela privatização concluída em duas fases que movimentou R$ 8,4 bilhões e colocou a Equatorial Energia (EQTL3) como maior acionista individual, com 30% do capital adquirido por R$ 5,6 bilhões. O BTG Pactual retomou cobertura da companhia, manteve recomendação de compra e elevou o preço-alvo para R$ 81.

Outras altas relevantes no mês:

  • MBRF3: +12,68%
  • EMBJ3: +11,88%
  • CXSE3: +11,29%
  • BBSE3: +10,51%

Maiores quedas

Na ponta oposta, Braskem (BRKM5) despencou 39,20% após revisão negativa de seu quadro financeiro e reconhecimento judicial de denúncias sobre o afundamento do solo em Maceió. A petroquímica obteve decisão para suspender por 60 dias a cobrança de dívidas de determinados credores, mas teve os ratings cortados: a Fitch rebaixou a nota de emissor para C e C(bra), enquanto a S&P Global atribuiu classificação D. Citi e JP Morgan também reduziram recomendação para o papel.

Outras perdas expressivas:

  • CSNA3: ‑31,00%
  • USIM5: ‑23,74%
  • MGLU3: ‑22,07%
  • SLCE3: ‑16,58%

Apesar das incertezas políticas internas, tensões geopolíticas e retirada de capital estrangeiro, o Ibovespa mantém desempenho positivo em 2026 graças ao ganho acumulado no primeiro trimestre.

Com informações de Money Times

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