São Paulo – A Petrobras encerrou maio com perda de R$ 98,1 bilhões em valor de mercado, colocando fim a uma sequência de quatro meses de ganhos em 2026. No último pregão do mês, a capitalização da estatal recuou para R$ 576,5 bilhões, menor patamar desde 6 de março.
Os papéis ordinários (PETR3) recuaram 14,62% no período, a 11ª maior desvalorização do Ibovespa, enquanto as ações preferenciais (PETR4) caíram 14,43%.
Pressão do petróleo
A forte correção coincidiu com a queda das cotações internacionais do petróleo. O contrato do Brent para agosto, negociado na ICE de Londres, acumulou baixa de 17,4% em maio e fechou a US$ 91,12 o barril. Já o WTI para julho, na Nymex de Nova York, recuou 16,8%, para US$ 87,36.
Segundo dados da Dow Jones Market Data, o Brent perdeu US$ 19 no mês, maior recuo em dólares desde março de 2020. O WTI cedeu US$ 17, pior resultado desde novembro de 2021.
Negociações EUA–Irã aliviando prêmios de risco
A possibilidade de um acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio reduziu o prêmio de risco embutido nos preços do petróleo. O presidente norte-americano, Donald Trump, disse na sexta-feira (29) que avaliaria uma decisão final sobre o tema, mas reiterou exigências como o fim do programa nuclear iraniano e a abertura imediata do Estreito de Ormuz.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, confirmou que há troca de mensagens, embora nenhum acerto definitivo tenha sido alcançado. Fontes ouvidas pelo New York Times afirmaram que a reunião de Trump durou cerca de duas horas sem resultado conclusivo; pontos como o descongelamento de ativos iranianos seguem em discussão.
Imagem: Liliane de Lima
De picos históricos a correção
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, as ações da Petrobras vinham acumulando fortes ganhos, impulsionadas pela disparada do petróleo. Nesse intervalo, a companhia quebrou 12 recordes de valor de mercado, atingindo o auge de R$ 680,1 bilhões em 13 de abril.
Com a reversão das cotações internacionais, maio marcou a primeira retração mensal da petroleira em 2026.
Com informações de Money Times