Juros futuros sobem com aversão global a risco e tensão eleitoral no Brasil

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A curva de juros futuros encerrou a sessão desta sexta-feira, 15 de maio, em alta generalizada, refletindo a liquidação de ativos no exterior e a crescente incerteza no cenário político doméstico.

Movimento na curva de DI

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 avançou 4 pontos-base, encerrando a 14,235% ante 14,190% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2029 subiu 17 pontos-base, para 14,165%, enquanto o vencimento de longo prazo, janeiro de 2036, ganhou 15 pontos-base, fechando a 14,260%.

Pressão vinda do exterior

Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries também dispararam. O yield do papel de dois anos, mais sensível à política monetária, passou de 3,992% para 4,079%. Já a taxa do título de dez anos avançou de 4,459% para 4,597%, referência que influencia decisões de investimento em todo o mundo.

A forte demanda por proteção ocorreu após a visita do presidente norte-americano Donald Trump à China não produzir avanços na tentativa de cessar-fogo entre Washington e Teerã. A persistência do impasse manteve o barril de Brent próximo de US$ 110, alimentando receios inflacionários e apostas de juros elevados por mais tempo.

Dados de preços ao consumidor e produtor acima do esperado nos EUA, divulgados nesta semana, reforçaram apostas de um possível aumento de juros pelo Federal Reserve em janeiro de 2027.

Risco político local

No Brasil, investidores seguiram atentos ao chamado “risco Flávio”. Na quarta-feira, 13, veio a público áudio em que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pede recursos ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado.

Segundo reportagem, Vorcaro teria se comprometido a repassar US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na época) para o projeto. A ligação, avaliam operadores, pode favorecer a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, percepção considerada negativa para o ajuste fiscal.

“O mercado tem certeza hoje de que o governo Lula não apresenta o compromisso fiscal necessário. Como Flávio era o favorito nas pesquisas, esse episódio altera a probabilidade de vitória”, afirmou Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez.

Com informações de Money Times

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