A curva de juros futuros encerrou a sessão desta sexta-feira (10) em forte queda, reagindo ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, que veio abaixo das projeções e fortaleceu a perspectiva de um novo corte de 25 pontos-base na taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para 5 de agosto.
Principais vencimentos recuam até 22 pontos-base
A taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 cedeu 9 pontos-base, fechando a 13,900% frente aos 13,990% da véspera. O contrato para janeiro de 2029 caiu 22 pontos-base, para 13,980%, enquanto o vencimento de janeiro de 2036 recuou 11 pontos-base, terminando o dia em 14,245%.
O movimento local contrastou com o dos Treasuries dos Estados Unidos, cujos rendimentos subiram. Por volta das 18h (horário de Brasília), o yield do título norte-americano de dois anos estava em 4,21% (de 4,162%), e o papel de dez anos avançava a 4,561% (de 4,539%).
Inflação desacelera e anima mercado
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA subiu 0,16% em junho, ante alta de 0,58% em maio. Em 12 meses, a inflação acumulada ficou em 4,64%, ainda acima da meta de 3% do Banco Central, mas dentro da faixa de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o dado “ajuda a aliviar a pressão inflacionária de curto prazo”. José Faria Júnior, da Wagner Investimentos, afirmou em relatório que “em agosto, o corte parece certo”.
O Bank of America ajustou sua projeção e agora espera redução de 25 pontos-base na Selic no próximo encontro do Copom, citando também um ambiente externo mais favorável, com o petróleo Brent abaixo de US$ 80 por barril.
Petróleo recua com expectativa de diálogo entre EUA e Irã
O Brent para setembro caiu 0,38%, a US$ 76,01 na ICE, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer ter aceitado um pedido do Irã para retomar negociações de paz no Oriente Médio. Horas depois, Teerã negou ter solicitado conversas diretas, mas confirmou ter recebido um mediador do Catar.
Com o recuo do petróleo e o IPCA mais brando, o mercado manteve a aposta majoritária de que a Selic, hoje em 14,25% ao ano, será reduzida para 14,00% em agosto, com chance de novo corte adicional ainda em 2026.
Com informações de Money Times