Lip-Bu Tan assumiu o comando da Intel em março do ano passado e, após sete meses de ações praticamente estáveis, viu a companhia voltar ao radar dos investidores graças ao crescente interesse por inteligência artificial (IA). No segundo ano de gestão, o executivo trabalha para mostrar que o recente entusiasmo do mercado pode se converter em avanços concretos de produto e de produção.
Relações estratégicas
Desde que chegou ao cargo, Tan reforçou laços com grandes nomes da tecnologia. Em agosto, transformou um impasse com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um acordo que colocou o governo como terceiro maior acionista da Intel. Em seguida, aproximou-se de Elon Musk e firmou parceria para a construção de um grande complexo fabril, negociação que surpreendeu parte da cúpula da empresa. O executivo também iniciou conversas preliminares para fabricar processadores principais de futuros dispositivos da Apple, segundo pessoas próximas às tratativas.
Desafios de fabricação
Apesar do otimismo externo, as dificuldades internas persistem. A Intel precisa recuperar participação de mercado perdida e elevar a eficiência de suas plantas, hoje com yield médio de 65%, bem abaixo dos mais de 80% registrados pela taiwanesa TSMC. Estimativas da New Street Research indicam que o custo por chip produzido pela Intel pode ser até três vezes superior ao da concorrente asiática, diferença atribuída em grande parte ao rendimento de fabricação.
Naga Chandrasekaran, responsável pelas fábricas da companhia há quase dois anos, busca convencer as próprias equipes de desenvolvimento a produzir novamente “em casa” e atrair ao mesmo tempo pedidos de rivais. O executivo reconhece, contudo, que somente os produtos internos não bastam para sustentar o volume necessário a uma operação competitiva no atual mercado de silício.
Reorganização do time
Tan pretende concluir até o fim de junho a formação de uma liderança confiável capaz de acelerar decisões e prazos. Recentemente, nomeou duas novas lideranças e trouxe Kevork Kechichian para chefiar a divisão de chips para servidores. Uma das metas é difundir senso de urgência entre os funcionários, depois de anos marcados por atrasos e revisões de cronograma.
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Resultados e metas
Nos últimos três anos, a Intel acumulou prejuízos e viu a receita recuar 33% em relação ao pico de 2021. Em janeiro, o balanço ficou abaixo das projeções após a empresa não reservar capacidade suficiente para atender à retomada da demanda por chips de data center e enfrentar dificuldades na nova tecnologia 18A. Tan disse estar decepcionado com a situação, mas afirma que os índices de rendimento vêm melhorando rapidamente e que cresce o interesse externo pela estrutura fabril da companhia.
O momento da indústria também pressiona. Durante a conferência GTC, Jensen Huang, CEO da Nvidia, previu aumento explosivo de demanda por CPUs em data centers de IA — cenário que pode favorecer a Intel se Tan conseguir concluir as mudanças antes que concorrentes ampliem ainda mais sua fatia de mercado.
Com informações de InfoMoney