São Paulo, 29 de maio de 2026 — O Ibovespa encerrou o mês de maio com retração de 7,22%, aos 173.787,49 pontos, marcando a terceira queda mensal consecutiva e o pior desempenho desde fevereiro de 2023, quando caiu 7,49%.
Sequência inédita desde 2004
Com o recuo acumulado nas últimas quatro semanas, o principal índice da B3 completou sete semanas seguidas de perdas, sequência que não era registrada desde o período entre abril e maio de 2004.
Saída de capital estrangeiro
O movimento negativo foi intensificado pela retirada de R$ 11,7 bilhões por investidores estrangeiros até 20 de maio, de acordo com dados da própria B3.
Fatores de pressão
Entre os motivos apontados por analistas estão:
- Risco eleitoral: a divulgação de um áudio envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master, sugerindo um aporte de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época) para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado.
- Terrorismo: a classificação das facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos, acrescentando insegurança jurídica ao mercado doméstico.
- Geopolítica: o impasse nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, com o Estreito de Ormuz no centro das atenções. Notícias sobre um possível cessar-fogo de 60 dias ainda não foram confirmadas.
Câmbio
O dólar à vista avançou 1,82% em maio, fechando a R$ 5,0429.
Destaques de alta
Usiminas (USIM5) liderou pelo segundo mês consecutivo, com alta de 33,66%, após reportar lucro líquido de R$ 896 milhões no 1T26 — aumento de 166% ante o 1T25 e de 596% frente ao 4T25. Segundo a empresa, o resultado reflete melhora operacional, efeitos cambiais positivos e maiores créditos tributários. Safra e Itaú BBA apontam redução de custos, menor importação de aço e benefícios fiscais como catalisadores.
Outras ações que mais subiram no mês:
Imagem: Liliane de Lima
- Braskem PN (BRKM5): +14,32%
- Ambev ON (ABEV3): +12,47%
- Lojas Renner ON (LREN3): +9,56%
- CSN ON (CSNA3): +7,70%
- Cury ON (CURY3): +7,38%
- Smart Fit ON (SMFT3): +7,30%
- Brava Energia ON (BRAV3): +5,85%
- BB Seguridade ON (BBSE3): +4,49%
- Direcional ON (DIRR3): +4,28%
Maiores quedas
Na outra ponta, Magazine Luiza (MGLU3) liderou as baixas, caindo 27,34% após resultados fracos do 1T26. Cosan (CSAN3) recuou 24,60%, afetada por elevada alavancagem e necessidade de aporte de R$ 10 bilhões por BTG Pactual, Perfin Investimentos e a família Ometto. O fundador Rubens Ometto atribuiu a situação a juros altos e investimentos excessivos, como a compra da Shell Argentina (US$ 1,5 bilhão) e da Biosev (US$ 1,5 bilhão), além de projetos em etanol de segunda geração.
Completam o ranking das maiores quedas:
- Vamos ON (VAMO3): –22,73%
- Axia Energia PNB (AXIA6): –17,07%
- Sabesp ON (SBSP3): –15,69%
- Axia Energia ON (AXIA3): –15,50%
- MRV ON (MRVE3): –15,46%
- Vivara ON (VIVA3): –15,38%
- Tim ON (TIMS3): –14,95%
- Raia Drogasil ON (RADL3): –14,81%
O desempenho negativo do Ibovespa em maio reforça a cautela dos investidores diante do cenário político doméstico, das tensões externas e da retirada de capital estrangeiro.
Com informações de Money Times