São Paulo, 23 de maio de 2026 – O Ibovespa encerrou a semana com recuo de 0,61%, aos 176.209,61 pontos, completando seis semanas consecutivas de baixa — a sequência negativa mais longa desde o período entre maio e junho de 2018. A série só foi superada em abril-maio de 2004, quando o índice caiu por sete semanas.
O movimento refletiu a combinação de tensões no Oriente Médio, receios sobre a política interna e perspectivas de juros mais elevados nos Estados Unidos. No câmbio, o dólar à vista cedeu 0,78% na semana e fechou a R$ 5,028.
Cenário político pressiona
A divulgação da primeira pesquisa Datafolha após o vazamento de mensagens que envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PL) mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 40% das intenções de voto no primeiro turno, nove pontos à frente do adversário, que recuou para 31%. No segundo turno, Lula aparece com 47% contra 43% de Bolsonaro, ainda em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
O instituto entrevistou 2.004 pessoas em 139 cidades entre 20 e 21 de maio; 64% disseram conhecer o caso, e a mesma proporção avaliou negativamente a conduta do senador.
Paralelamente, o governo ampliou de R$ 1,6 bilhão para R$ 23,7 bilhões o bloqueio de verbas orçamentárias dos ministérios para respeitar o teto de gastos, depois de aumento das despesas obrigatórias.
Geopolítica e juros externos
As negociações para um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã avançaram pouco. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, falou em “algum progresso”, enquanto o porta-voz iraniano Esmaeil Baghaei citou “divergências profundas”. Com o impasse, o barril de Brent permaneceu próximo de US$ 110, alimentando temores inflacionários.
No mercado americano, operadores já precificam a possibilidade de alta de juros pelo Federal Reserve em outubro. Na sexta-feira (22), Kevin Warsh assumiu a presidência do banco central dos EUA, e Jerome Powell continuará no conselho até 2028.
Imagem: Liliane de Lima
Maiores altas da semana
Na ponta positiva do Ibovespa, Usiminas (USIM5) avançou 13,49%. A companhia reportou lucro de R$ 896 milhões no primeiro trimestre, 166% acima do resultado de um ano antes, impulsionando revisões de preço-alvo por parte de bancos. Lojas Renner (LREN3) subiu 11,22%, enquanto Azzas 215 (AZZA3) ganhou 8,77%.
Maiores quedas
Minerva (BEEF3) liderou as perdas, caindo 14,09% na semana. O Itaú BBA reduziu o preço-alvo do papel de R$ 9 para R$ 5,50 ao fim de 2026 e rebaixou a recomendação para neutra, citando ambiente operacional adverso, câmbio desfavorável e possíveis pressões de custo com a reversão do ciclo pecuário. A suspensão das importações de carne bovina de três frigoríficos brasileiros pela China, ainda que não incluísse a Minerva, adicionou pressão às ações.
Entre os demais destaques negativos apareceram RD Saúde (RADL3), com queda de 7,15%, SLC Agrícola (SLCE3), que recuou 6,52%, e CSN Mineração (CMIN3), com baixa de 5,08%.
Com informações de Money Times