O mercado brasileiro encerrou a semana sob a influência dos balanços do primeiro trimestre de 2026 das construtoras Helbor (HBOR3), Even (EVEN3), Cyrela (CYRE3) e Gafisa (GFSA3), que vieram abaixo das projeções dos analistas e frustraram os investidores nesta sexta-feira (15).
Em entrevista ao programa Giro do Mercado, o analista Caio Araujo, da Empiricus Research, afirmou que os números das quatro empresas “ficaram aquém do consenso”, refletindo a combinação de menores vendas e pressão sobre as margens, sobretudo nos segmentos de média e alta renda.
Juros altos pesam nos lançamentos de padrão médio e alto
Segundo Araujo, os últimos dois anos foram positivos para a construção de baixa renda, impulsionada pelo Minha Casa Minha Vida. No entanto, a elevação das taxas de juros reduziu a demanda por imóveis de padrão intermediário e de luxo, provocando desaceleração das vendas e afetando a rentabilidade das companhias focadas nessas faixas de preço.
O especialista acrescentou que o cenário de custos segue no radar das incorporadoras e também contribuiu para o desempenho inferior ao esperado. “O impacto dos maiores gastos se reflete tanto nos resultados divulgados quanto na reação das ações nos últimos pregões”, disse.
Direcional e Moura Dubeux seguem entre as preferidas
Na contramão das demais, o balanço da Direcional (DIRR3) ficou em linha com as expectativas e continua sendo recomendado pela Empiricus, justamente pela forte exposição ao Minha Casa Minha Vida. A mesma leitura se aplica à Moura Dubeux (MDNE3), destacou Araujo.
Contexto macro pesa sobre o humor do investidor
Além dos relatórios corporativos, o pregão desta sexta foi influenciado pela falta de avanços nas negociações entre China e Estados Unidos para atenuar o conflito no Oriente Médio. A incerteza reforçou temores inflacionários e pressionou as bolsas internacionais.
Imagem: Cecília de O
Nos Estados Unidos, a produção manufatureira subiu 0,6% em abril, último dado divulgado sob a presidência de Jerome Powell no Federal Reserve. No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou recuo de 1,2% no volume de serviços em março, a maior queda desde novembro de 2024.
O ambiente externo desfavorável, somado às surpresas negativas nos balanços das construtoras, contribuiu para a cautela dos investidores na reta final da semana.
Com informações de Money Times