Banco do Brasil reduz projeção de lucro para 2026 e sinaliza menor pagamento de dividendos

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São Paulo, 14 de maio de 2026 – O Banco do Brasil (BBAS3) reviu para baixo a estimativa de lucro para 2026 e, com isso, o volume de dividendos a ser distribuído deve encolher. A instituição agora espera resultado líquido entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões, intervalo inferior aos R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões projetados anteriormente.

Projeção de proventos mais enxuta

Com a retração do lucro e a redução do payout de 45% para 30%, o analista Flavio Conte, da Levante Investimentos, calcula que o banco poderá distribuir cerca de R$ 5,4 bilhões em 2026. O montante equivaleria a R$ 0,9422 por ação, representando dividend yield de 4,5% sobre a cotação de fechamento de R$ 20,76 – bem abaixo dos 10% obtidos nos anos de maior rentabilidade.

Conte avalia que o resultado deve ficar na parte baixa do novo intervalo, ou seja, próximo de R$ 18 bilhões, o que implicaria lucro trimestral médio de R$ 4,8 bilhões. Esse valor supera os R$ 3,4 bilhões registrados no primeiro trimestre de 2026.

Custo de capital pressiona resultados

Um dos fatores que comprometeram a revisão das metas foi o avanço do custo de capital, que saltou da faixa de R$ 53 bilhões–R$ 58 bilhões para R$ 65 bilhões–R$ 70 bilhões.

Nada de dividendos extraordinários

Durante coletiva com jornalistas, o vice-presidente financeiro Giovanne Tobias descartou completamente a distribuição de dividendos extraordinários. A possibilidade havia sido cogitada no terceiro trimestre de 2025, mas o executivo afirmou que o cenário atual é “pior que o esperado”.

Resultado do 1T26 e JCP anunciado

No balanço divulgado na noite de quarta-feira (13), o banco reportou lucro líquido de R$ 3,4 bilhões no 1T26, queda de 52% em relação ao mesmo período de 2025. Junto ao resultado, foi aprovada a distribuição de R$ 465,7 milhões em juros sobre capital próprio (JCP).

XP aponta deterioração da carteira de crédito

Para a XP Investimentos, o trimestre foi fraco, mas dentro do esperado. Os analistas Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti destacaram que a principal preocupação passou a ser a piora do ambiente de crédito, não mais o lucro em si.

A métrica de inadimplência inicial (NPL) para pessoa física aumentou quase 90 pontos-base na comparação trimestral e 200 pontos-base em 12 meses. Já o NPL 90+ subiu 26 pontos-base no trimestre e 170 pontos-base em um ano. Segundo o relatório, os empréstimos consignados são os maiores responsáveis pela pressão, refletindo a maturação de carteiras recentes, sobretudo no consignado privado.

Com informações de Money Times

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