Os preços do petróleo abriram a semana em alta, alcançando o maior patamar em duas semanas, depois que uma usina nuclear nos Emirados Árabes Unidos sofreu um ataque com drones e cresceram os sinais de paralisação nas tentativas de encerrar o conflito envolvendo o Irã.
Às 4h51 (horário de Brasília) desta segunda-feira, 18 de maio de 2026, o contrato futuro do Brent avançava 0,76%, ou US$ 0,83, sendo negociado a US$ 110,10 o barril. Minutos antes, a cotação chegou a tocar US$ 112, o nível mais alto desde 5 de maio.
Nos Estados Unidos, o West Texas Intermediate (WTI) para entrega em junho era vendido a US$ 106,50, ganho de US$ 1,08 (1,02%). Durante a madrugada, o preço atingiu US$ 108,70, pico desde 30 de abril. O contrato, o mais próximo do vencimento, expira nesta terça-feira, 19.
Escalada de tensão no Golfo
O avanço ocorre depois de uma semana em que Brent e WTI já haviam subido mais de 7%, apoiados pela redução das expectativas de um acordo de paz e pelos sucessivos ataques e apreensões de navios no Estreito de Ormuz, rota responsável por cerca de um quinto do comércio marítimo global de petróleo.
As negociações mantidas na semana passada entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, terminaram sem que Pequim — maior importador mundial de petróleo — sinalizasse esforços para mediar o conflito desencadeado por ações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
A série de ataques de drones contra alvos nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita, somada à retórica cada vez mais dura de Washington e Teerã, elevou o receio de escalada regional. “Esses ataques funcionam como um alerta: novas ofensivas dos EUA ou de Israel contra o Irã podem provocar represálias contra a infraestrutura energética do Golfo”, avaliou Tony Sycamore, analista de mercado da IG.
Reações locais
Autoridades emiradenses informaram que investigam a origem do ataque à usina nuclear de Barakah e reforçaram que o país “tem pleno direito de responder a ações terroristas”. Na Arábia Saudita, o governo disse ter interceptado três drones oriundos do espaço aéreo iraquiano e prometeu “medidas operacionais” para defender sua soberania.
Imagem: Reuters
Possíveis ações dos EUA
Segundo o portal Axios, Trump deve reunir na terça-feira seus principais conselheiros de segurança nacional para discutir alternativas militares em relação ao Irã.
Além dos temores de novos confrontos, o mercado reagiu ao fim, no sábado (16), de uma isenção de sanções dos EUA que permitia a países como a Índia comprar petróleo russo transportado por via marítima. “A combinação do risco de oferta no Oriente Médio e da restrição adicional relacionada à Rússia impulsiona os preços”, comentou Vandana Hari, fundadora da consultoria Vanda Insights.
Com o cenário de incerteza no Golfo e a restrição adicional trazida pelas sanções, investidores seguem monitorando de perto a movimentação diplomática e militar na região, enquanto os preços do petróleo permanecem sob pressão de alta.
Com informações de Money Times