O preço do contrato de trigo para julho na Bolsa de Chicago (CBOT) saltava 6,78% na tarde desta terça-feira (12), cotado a US$ 6,77 por bushel às 14h52. Trata-se do maior avanço diário para a commodity em 12 meses.
A disparada ocorreu após o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgar a primeira projeção para a safra 2026/2027. O órgão prevê produção mundial de 819,1 milhões de toneladas, 24,8 milhões a menos que o ciclo 2025/2026 (843,8 milhões de toneladas), reflexo de menor área colhida e produtividade reduzida.
Principais quedas por país
Entre os maiores exportadores, as retrações mais acentuadas são esperadas para Estados Unidos, União Europeia, Argentina e Austrália.
- Estados Unidos: área colhida deve recuar de 37,2 para 32,9 milhões de acres. A produtividade média está projetada em 47,5 bushels por acre, 5,8 bushels abaixo do recorde anterior. A produção norte-americana cairia de 54,0 para 42,5 milhões de toneladas, enquanto as exportações passariam de 24,8 para 21,1 milhões de toneladas. Os estoques finais diminuiriam de 25,4 para 20,7 milhões de toneladas.
- Argentina: produção estimada em 21,0 milhões de toneladas, frente a 27,9 milhões na temporada anterior. As exportações podem encolher de 18,5 para 14,5 milhões de toneladas.
- Rússia: volume esperado de 86,0 milhões de toneladas, ante 90,3 milhões, com exportações de 47,0 milhões de toneladas (um milhão acima de 2025/2026).
- Ucrânia: produção deve recuar de 24,1 para 23,0 milhões de toneladas; exportações, de 12,5 para 13,0 milhões de toneladas.
- Brasil: produção prevista em 6,7 milhões de toneladas, ante 7,9 milhões, com importações crescendo de 6,6 para 7,2 milhões de toneladas.
Estoque e consumo
Os estoques globais são calculados em 275,0 milhões de toneladas, 4,2 milhões abaixo do ciclo anterior. O consumo total deve atingir 823,2 milhões de toneladas, leve queda puxada pela menor utilização em ração, especialmente nos principais produtores. Já o uso para alimentação, sementes e indústria tende a subir, com a Índia liderando esse crescimento, apoiada pelo aumento da população e pela ampla oferta doméstica.
Comércio internacional
O USDA projeta o comércio global em 211,7 milhões de toneladas, 12 milhões a menos que em 2025/2026. A principal razão é a menor demanda de importação no Norte da África e no Oriente Médio, regiões que registraram colheitas maiores em vários países.
Soja e milho nos EUA
O órgão também trouxe estimativas para outras culturas. Os agricultores norte-americanos devem colher 4,435 bilhões de bushels de soja em 2026, a segunda maior safra da história, acima dos 4,262 bilhões de 2025, mas ligeiramente abaixo da média esperada pelo mercado (4,445 bilhões).
Imagem: Pasquale o
Para o milho, a produção projetada é de 15,995 bilhões de bushels, recuo de 6% em relação ao recorde de 17,021 bilhões colhidos no ano passado, embora acima das previsões de analistas (15,934 bilhões). O USDA atribui parte da queda ao aumento dos custos agrícolas ocasionado pela guerra com o Irã.
As projeções divulgadas hoje redefiniram as expectativas do mercado e sustentaram a forte alta das cotações do trigo em Chicago.
Com informações de Money Times
