O diretor financeiro do BTG Pactual (BPAC11), Renato Cohen, afirmou nesta segunda-feira (11) que, apesar de uma “pioradinha” recente provocada pelos reflexos da guerra no Irã sobre as expectativas de juros, o mercado brasileiro continua atraente para investidores e para novas ofertas de ações.
Durante coletiva sobre os resultados do banco, o executivo destacou que a abertura de capital da Compass, empresa do grupo Cosan (CSAN3) realizada mais cedo, encerrou um intervalo de cinco anos sem IPOs na B3 e sinaliza apetite por novas captações. “Mais empresas virão ao mercado neste ambiente ou em um cenário um pouco melhor”, disse, sem cravar números, mas indicando que “mais de uma dezena” de companhias já está pronta para estrear na bolsa.
Empresas na fila
Cohen lembrou que a Elo, bandeira brasileira de cartões, pode registrar prospecto para uma oferta inicial de ações nos Estados Unidos, conforme apurou a agência Reuters. Ele acrescentou que, mesmo com a recente volatilidade, os múltiplos de empresas locais permanecem baixos e os ativos, de elevada qualidade, o que mantém o país “muito convidativo” ao capital estrangeiro. “Considero este um ótimo momento para investir no Brasil. Nesse nível de preço, melhor ainda”, resumiu.
Fluxo estrangeiro e desempenho do Ibovespa
Dados da consultoria Elos Ayta mostram que o ingresso de recursos externos na Bolsa recuou 87,9% desde o pico registrado em janeiro, enquanto o Ibovespa acumula queda de 8% em relação às máximas do ano. Mesmo assim, Cohen reforçou que o país tem histórico de bons retornos aos investidores e relações estáveis com diferentes mercados.
Visão da presidência
Em teleconferência com analistas, o presidente-executivo do BTG Pactual, Roberto Sallouti, também demonstrou confiança no cenário de mercado. Segundo ele, há perspectivas positivas para emissões de ações (ECM) e, mais adiante, para dívida corporativa (DCM). “Estamos encorajados pelo que observamos nos mercados de capitais. Houve fluxos relevantes para a América Latina e emergentes; isso arrefeceu um pouco, mas realizamos o primeiro IPO em cerca de cinco anos”, afirmou.
Para o DCM, Sallouti prevê um segundo trimestre mais fraco, com retomada no terceiro trimestre.
Atuação do banco
No primeiro trimestre de 2026, a área de banco de investimentos do BTG participou de 10 operações de ECM, que movimentaram US$ 628 milhões. No quarto trimestre de 2025 foram oito operações (US$ 369 milhões) e, no mesmo período do ano anterior, duas operações (US$ 175 milhões).
Imagem: Renan Dantas
Em dívida corporativa, o banco atuou em 36 emissões no primeiro trimestre, somando US$ 3,664 bilhões. No quarto trimestre de 2025 foram 46 transações (US$ 4,584 bilhões) e, um ano antes, 29 emissões (US$ 1,987 bilhão).
Crédito e PMEs
Sallouti informou que a carteira de crédito do BTG tem desempenho superior ao esperado, tanto no segmento corporativo quanto no financiamento ao consumidor. Em pequenas e médias empresas, o foco está no financiamento da cadeia de suprimentos e na antecipação de recebíveis de cartão, com exposição ainda limitada a linhas com garantia governamental.
No crédito ao consumidor, o executivo admitiu que as provisões podem crescer dentro de dois ou três trimestres, embora as medidas recentes do governo ainda deem suporte à demanda.
Com informações de Money Times
