A caderneta de poupança permanece como o investimento mais popular do país, mas perde participação para alternativas de renda fixa emitidas por bancos e empresas. O movimento é apontado pelo Raio X do Investidor Brasileiro 2026, pesquisa anual da Anbima em parceria com o Datafolha.
O levantamento mostra que 60,6 milhões de brasileiros – 36% da população adulta – possuem ao menos um produto financeiro. Em 2021, esse percentual era de 31%. A expansão do mercado de investidores, porém, veio acompanhada de uma mudança no tipo de aplicação escolhida.
Poupança encolhe entre quem já investe
Em cinco anos, a fatia de investidores que aplicam na poupança recuou de 75% para 61%. Embora ainda seja citada por 22% da população em geral, a caderneta perdeu espaço principalmente para Certificados de Depósito Bancário (CDBs), Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio (LCIs e LCAs), Letras Financeiras e debêntures.
Estoque de títulos privados cresce
Somente os títulos bancários alcançaram quase R$ 5 trilhões em estoque em 2025, alta de 17% em 12 meses. Debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs) somaram R$ 2 trilhões no mesmo período.
Adoção e conhecimento em alta
A participação de quem investe em títulos privados passou de 8% em 2021 para 20% em 2025. O conhecimento espontâneo sobre esses produtos chega a 14% da população e ultrapassa o patamar da poupança na classe A/B, onde 29% mencionam CDBs, LCIs, LCAs ou debêntures, ante 26% que citam a caderneta.
Geração Z já migra para novas opções
Entre os mais jovens, apenas 13% ainda mantêm recursos na poupança. Na mesma faixa etária, 10% investem em títulos privados, 8% em fundos e 8% em criptomoedas.
Imagem: Seu Dinheiro
Razões da troca
Os entrevistados elencam como principais motivos para optar por títulos privados: retorno (53%), segurança (23%) e facilidade de aplicação por canais digitais (63% das operações financeiras já ocorrem on-line, ante menos de 50% cinco anos atrás).
Concentração por renda
O avanço dos títulos privados se concentra na classe A/B. Nesse grupo, 18% possuem esses investimentos, proporção que cai para 1% nas classes D/E. A renda familiar média da classe A/B é de R$ 9.355, enquanto a média nacional é de R$ 4.627. Entre os mais abastados, 31% gastam menos do que ganham, favorecendo a formação de poupança.
Apesar do crescimento, 64% dos brasileiros ainda não investem em nenhum produto financeiro, indicando que a mudança de perfil segue limitada a parcelas com maior renda e acesso à informação.
Com informações de Money Times
