Os produtores de soja da Argentina vêm postergando as vendas da safra 2025/26, apesar da valorização da commodity no mercado internacional, aponta relatório divulgado nesta quinta-feira (9). O ritmo atual é o mais lento em dez anos e restringe a oferta de divisas para o país.
De acordo com a corretora ActivTrades, até o fim de junho apenas 40% da colheita havia sido comercializada. Além disso, somente 21% do volume total foi efetivamente negociado, percentual considerado baixo para o período.
Soja como reserva de valor
Na Argentina, a oleaginosa costuma funcionar como uma espécie de poupança para o produtor. Por isso, muitos agricultores priorizam a venda de trigo, milho e girassol para cobrir custos imediatos. Em 2026, a boa produtividade dessas culturas assegurou liquidez suficiente para que o setor segurasse a soja, à espera de uma taxa de câmbio mais favorável, redução de impostos de exportação ou preços ainda mais elevados, explica o analista Alexander Londono.
Embora as cotações atuais superem as do ano anterior, a inflação local diminui o ganho real, o que reduz a urgência de fechar negócios, acrescenta Londono.
Impacto cambial e industrial
A retenção da safra — estimada em 51,5 milhões de toneladas — diminui a entrada de dólares no mercado cambial, aumenta a pressão sobre o peso argentino e dificulta o esforço do Banco Central para recompor reservas.
O atraso também afeta a indústria de processamento de oleaginosas. Menores entregas elevam os custos de aquisição, limitam a produção de óleo e farelo e atrasam embarques de exportação, segundo o estudo.
Olho nos dados do USDA
O setor agora aguarda o relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), previsto para 10 de julho. Caso a estimativa da safra norte-americana suba para aproximadamente 120,7 milhões de toneladas, analistas preveem queda nos preços globais, o que poderia estimular vendas na Argentina. Em cenário oposto, se o clima seco reduzir a produção dos EUA, a tendência é de novas altas nas cotações, reforçando a decisão dos produtores argentinos de manter o grão armazenado.
Por enquanto, o impasse mantém travados tanto os dólares de exportação quanto a principal matéria-prima da pujante cadeia industrial de soja do país.
Com informações de Money Times