A produção do agronegócio brasileiro segue forte em maio, mas as margens de grãos e proteínas animais estão sob pressão devido ao avanço dos custos e à valorização do real, segundo o relatório setorial divulgado pelo BB Investimentos em 24 de maio de 2026.
Soja e milho
Para a soja, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta safra global recorde em 2026/27, resultado do aumento de área plantada e da produtividade, enquanto a demanda continua firme para ração e biocombustíveis. No Brasil, a temporada 2025/26 tende a registrar o terceiro recorde consecutivo – sétimo nas últimas dez safras. Apesar disso, a rentabilidade tem sido afetada pelo câmbio mais forte, por prêmios menores e pelo encarecimento dos fertilizantes, fatores que reduzem os preços em reais e pioram a relação de troca.
Em relação ao milho, o USDA estima leve recuo da produção mundial após anos de recordes. O consumo, porém, segue em alta, reduzindo estoques. No mercado interno, o país mantém oferta elevada e reforça sua presença internacional, mas o excedente exportável pode diminuir com o crescimento do consumo doméstico, impulsionado pelo etanol. A queda dos preços em reais, combinada ao aumento de custos, reforça um cenário de maior cautela na expansão de área.
Proteínas animais
Nas carnes, o banco observa caminhos distintos. A carne bovina mantém forte ritmo de exportação para a China, mas as margens encolheram porque o preço do boi gordo sobe mais rápido que o valor recebido pela carne. A desaceleração dos abates no início de 2026 indica fase mais avançada do ciclo pecuário e possível menor oferta futura.
Para a carne de frango, as vendas externas se recuperam após as restrições relacionadas à influenza aviária. Mesmo assim, as margens continuam comprimidas pela queda dos preços médios no mercado interno e pelos custos elevados. No segmento de carne suína, o volume exportado segue crescendo – com destaque para Filipinas e México –, mas a rentabilidade diminui diante do recuo dos preços e da alta dos insumos.
Recomendações de ações
O BB Investimentos manteve a análise de que o Brasil segue competitivo pelos custos relativos, diversificação de mercados e resiliência logística, ainda que o câmbio volátil e os custos atrelados a eventos geopolíticos sigam no radar. Veja as recomendações do banco para 2026:
Imagem: Cecília de O
• 3tentos (TTEN3): preço-alvo de R$ 20,80, potencial de 23,1%, recomendação de compra.
• JBS (JBSS3): preço-alvo de R$ 32,10, potencial de 53,9%, recomendação de compra.
• Ambev (ABEV3): preço-alvo de R$ 16,00, potencial de 1,2%, recomendação neutra.
• Minerva (BEEF3): preço-alvo de R$ 38,00, potencial de 3,9%, recomendação neutra.
• Marfrig (MRFG3): preço-alvo de R$ 26,20, potencial de 55,9%, recomendação neutra.
• SLC Agrícola (SLCE3): preço-alvo de R$ 18,40, potencial de 6,5%, recomendação neutra.
• Boa Safra (SOJA3): preço-alvo de R$ 10,70, potencial de 68,0%, recomendação neutra.
O relatório ressalta que, apesar das condições de produção favoráveis, a combinação de custos elevados e câmbio influencia diretamente a estratégia de expansão de área e o desempenho financeiro das empresas do setor.
Com informações de Money Times