Dólar cai 1,37%, volta a R$ 4,99 e reage a cenário externo e IBC-Br mais fraco

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São Paulo, 18 de maio de 2026 – O dólar à vista encerrou a sessão desta segunda-feira cotado a R$ 4,9985, recuo de 1,37% frente ao real. A desvalorização acompanhou o enfraquecimento global da moeda norte-americana e refletiu a combinação de tensões geopolíticas no Oriente Médio e dados domésticos de atividade mais fracos.

Pressão externa

Perto das 17h (horário de Brasília), o índice DXY – que compara o dólar a seis divisas fortes, como euro e libra – cedia 0,29%, para 98.990 pontos. O movimento veio na esteira de novos discursos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã. No domingo (17), pela rede Truth Social, Trump alertou Teerã sobre “consequências” caso não haja reação rápida, o que levou o petróleo a tocar US$ 112 o barril.

Mais cedo, em entrevista ao New York Post, o presidente norte-americano afirmou não aceitar concessões com o governo iraniano. Horas depois, porém, anunciou o adiamento de um ataque militar a pedido de autoridades do Catar, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, o que reduziu parte da tensão e ajudou a conter o rali das commodities no meio da tarde.

Alívio político doméstico

No Brasil, o câmbio devolveu parte da forte alta registrada na semana anterior, quando revelações do Intercept Brasil sobre conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o empresário Daniel Vorcaro – dono do Banco Master – pressionaram o real. Sem novos desdobramentos políticos relevantes, investidores aproveitaram para realizar lucros, segundo Bruno Shahini, especialista de investimentos da Nomad.

IBC-Br aponta queda em março

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), mostrou retração de 0,67% em março na comparação dessazonalizada com fevereiro. Mesmo assim, o indicador acumulou alta de 1,3% no primeiro trimestre ante os três meses finais de 2025.

Para Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, o resultado de março não elimina os sinais de expansão disseminada no início do ano. Ele cita aumento da renda real das famílias, mercado de trabalho apertado e medidas de estímulo fiscal e de crédito, como o programa de renegociação Desenrola 2.0.

Projeções de inflação e juros sobem

Pela décima semana seguida, o Boletim Focus mostrou elevação da expectativa para o IPCA de 2026, de 3,91% para 3,92%. A estimativa para a taxa Selic no fim do próximo ano subiu de 13% para 13,25%.

Técnica testa piso de R$ 5,00

Shahini ressalta que o dólar “testa tecnicamente” o nível de R$ 5,00, em movimento de ajuste após a recente escalada. A melhora temporária no quadro externo, com sinais de distensão entre EUA e Irã, colaborou para o recuo, embora o Brent permaneça acima dos US$ 110 e siga sujeito a elevada volatilidade.

O mercado de câmbio segue atento aos próximos passos da crise no Oriente Médio, às discussões internas sobre a política fiscal e aos indicadores de inflação, fatores que podem redefinir as apostas para juros e, consequentemente, para a trajetória do real.

Com informações de Money Times

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