Dólar fecha a R$ 5,06, sobe 1,63% e acumula ganho semanal de 3,55% com tensão eleitoral e crise no Oriente Médio

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São Paulo, 15 de maio de 2026 – O dólar à vista encerrou a sessão desta sexta-feira cotado a R$ 5,0678, avanço de 1,63% em relação ao dia anterior. Pela manhã, a divisa marcou R$ 5,0818, maior nível intradiário em quase um mês.

Com o resultado, a moeda norte-americana acumulou valorização de 3,55% na semana frente ao real. No exterior, o índice DXY – que compara o dólar com seis pares importantes – subia 0,47% às 17h (de Brasília), aos 99,292 pontos.

Cenário interno: “risco Flávio” pesa

No mercado local, investidores voltaram a precificar o risco eleitoral após novas revelações sobre a relação do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Reportagem do Intercept Brasil publicada na quarta-feira (13) mostrou trocas de mensagens que indicariam negociação para o repasse de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões à época) a fim de financiar um filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado.

Analistas avaliam que o episódio pode ameaçar a viabilidade eleitoral de Flávio, apontado como principal nome da direita para a disputa de outubro. Em entrevista à CNN Brasil, o senador disse que os contatos com Vorcaro “não vão impactar” sua pré-candidatura e afirmou que seguirá na corrida presidencial.

Nesta sexta, nova reportagem do Intercept relatou que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro teria atuado como produtor-executivo do filme Dark Horse e que a Polícia Federal apura se verbas de Vorcaro custearam despesas do parlamentar nos Estados Unidos. Flávio negou que o irmão tenha administrado recursos do projeto e declarou que Eduardo “colocou dinheiro próprio” na produção.

Pressões externas: petróleo e juros nos EUA

Lá fora, o dólar ganhou fôlego após a visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China terminar sem avanços concretos para um cessar-fogo entre Washington e Teerã. A falta de progresso elevou os preços do petróleo: o Brent operava perto de US$ 110 o barril, alimentando temores inflacionários.

“A nova alta do petróleo e dados recentes mais fortes nos EUA reforçam a percepção de política monetária hawkish e sustentam o dólar”, escreveu Francesco Pesole, estrategista do ING, em relatório. Operadores já enxergam chance de aumento dos juros pelo Federal Reserve em janeiro de 2027, depois que índices de inflação ao consumidor e ao produtor de abril superaram projeções e atingiram os maiores patamares desde 2023 e 2022, respectivamente.

No mercado de renda fixa, os Treasuries de dez anos renovaram máximas não vistas desde o primeiro semestre de 2025. “A curva passou a embutir elevação dos Fed Funds ainda em 2026, contraste forte com as apostas de afrouxamento no início do ano”, observou Bruno Shahini, especialista de investimentos da Nomad.

O avanço dos rendimentos americanos, combinado ao aumento da aversão a risco global, reforçou a demanda por dólares e ajudou a moeda a superar a barreira de R$ 5,06 no Brasil, mesmo com a valorização das commodities – fator que costuma beneficiar o real.

Com informações de Money Times

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