O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou drasticamente, nesta quinta-feira, os números sobre as vendas de carne bovina ao exterior, reduzindo o volume reportado em 90% e reacendendo dúvidas sobre a confiabilidade dos relatórios da agência.
Na correção, as vendas líquidas passaram de 126.062 toneladas — divulgadas no boletim semanal de 2 de julho — para 12.064 toneladas na semana encerrada em 25 de junho. Operadores já haviam questionado o dado original, considerado fora dos padrões históricos.
A retificação ocorre em meio a críticas à qualidade das estatísticas do USDA, que enfrenta cortes de pessoal e, no ano passado, subestimou a área de milho plantada. Segundo dados governamentais, o Serviço Agrícola Estrangeiro, responsável pelos relatórios de exportação, perdeu cerca de 21% de seus funcionários no primeiro semestre do ano passado.
O relatório inicialmente inflado apontava volumes inéditos para destinos pouco habituais: 38.434 toneladas para o Chile e 32.274 toneladas para a Itália. Após a revisão, os números caíram para, respectivamente, 367 e 350 toneladas. Vendas para outros 14 países também foram ajustadas para baixo.
Em nota, o USDA informou ter recebido dados incorretos de um exportador e ressaltou que a integridade e a precisão das informações permanecem “prioridades máximas”. Um porta-voz afirmou que a agência está “comprometida em aprender com os erros”.
Exportadores norte-americanos são obrigados a comunicar semanalmente suas vendas ao USDA. Antes da correção, o órgão havia dito ter confirmado a veracidade dos números com uma empresa do setor.
Para Austin Schroeder, analista de commodities da Brugler Marketing & Management, o salto nas vendas deveria ter soado um alerta imediato. “Estamos, até certo ponto, fora do mercado mundial devido aos preços”, observou. Os Estados Unidos registram recordes nos preços da carne bovina em razão da menor oferta de gado e da forte demanda doméstica, enquanto as exportações caem desde 2022.
Com informações de Money Times