O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu drasticamente os números de vendas externas de carne bovina referentes à semana encerrada em 25 de junho. O volume líquido passou de 126.062 toneladas, divulgado inicialmente, para 12.064 toneladas – queda de cerca de 90%.
A correção foi publicada nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026, após a agência admitir que havia recebido informações incorretas de uma exportadora e as incluído em seu relatório semanal de 2 de julho.
Mercado já desconfiava dos dados
Operadores e analistas questionaram o relatório preliminar assim que ele apareceu, pois apontava um salto de quase 500% nas vendas em relação à semana anterior e incluía volumes incomuns para determinados países compradores. Embora o USDA tenha confirmado os números com a empresa fornecedora dos dados, o mercado considerou o resultado pouco crível.
Credibilidade em xeque
A revisão reforça as dúvidas sobre a qualidade dos levantamentos do USDA, já abalados por cortes de pessoal e por erros recentes. No ano passado, a agência subestimou significativamente a área plantada de milho e adiou um relatório trimestral sobre comércio agrícola, retirando conclusões que relacionavam tarifas a um aumento previsto no déficit do setor.
Segundo dados governamentais, o Serviço Agrícola Estrangeiro, responsável pelos relatórios de vendas de exportação, perdeu cerca de 21% de seus funcionários no primeiro semestre do ano passado, consequência de uma reestruturação do governo federal.
Para Austin Schroeder, analista da Brugler Marketing & Management, o USDA “provavelmente deveria ter notado” as inconsistências. Já Amy Harding, especialista em relatórios de exportação da agência, afirmou anteriormente que a checagem com a exportadora levou à divulgação inicial dos números inflados.
Com a atualização desta quinta, a venda líquida de carne bovina dos EUA volta a patamares mais próximos da média semanal recente.
Com informações de Money Times